Home Data de criação : 09/06/09 Última atualização : 09/06/10 19:40 / 4 Artigos publicados
 

HISTÓRIA DA CIDADE DA MUSICA  escrito em terça 09 junho 2009 16:42

                                        HISTÓRIA DA CIDADE DA MUSICA

A maioria dos cariocas não conhece a verdadeira história da Cidade da Música. Acompanhei de perto todo o trabalho desenvolvido para recuperar a centralidade cultural do Rio de Janeiro e quero, através deste blog, passar essas informações aos leitores.

1 - A Cidade da Música - antes batizada de Cidade das Artes por seu idealizador o consagrado arquiteto Christian Portzamparc, especialista  em projetos com salas de concreto como centro de gravidade, é um grande complexo de atividades tendo a música como tema. Tudo começou quando na eleição do ano 2000 o ex prefeito César Maia nos prometou incluir em seu programa a prioridade de realizar um grande investimento num dos vetores da arte para que o Rio recuperasse a centralidade Cultural. Na ocasião lembrava  que não há centralidade cultural nem esportiva, em nenhuma cidade do mundo, sem grandes e sofisticados equipamentos que sirvam de base e referência.

2 - A decisão foi ter as Artes Plásticas como tema. Estabelecida a parceria com a Fundação Guggenheim, dentro de sua rede de museus, e desenhado o projeto-base pelo arquiteto Jean Nouvel, iniciou-se uma reserva de recursos para 5 anos, de 250 milhões de dólares. O projeto foi obstruido na justiça por ação da oposição. Insistir nesta linha mudando de parceria insinuaria uma provocação ao poder judiciário, na medida em que a questão colocada no TJ foi um equipamento de artes plásticas contemporâneas, independente de parceria.

3 - Dessa forma - mantida toda a concepção das razões de um grande equipamento de qualidade intenacional - a decisão foi substituir  o tema - Artes Plásticas por Musica. A primeira alternativa tinha como propósito promover, dar visibilidade e competitividade aos artistas brasileiros. A Musica, sendo razão da própria identidade do carioca, um povo acústico, já partiria alavancada nacional e internacionalmente, pela história da musica do Rio, onde trabalham os grandes compositores eruditos, e sua referência internacional em música popular com o samba e a bossa-nova. Além do mais a Orquestra Sinfônica Brasileira passaria a ter uma sede reforçando sua centralidade nacional e qualificando-a ainda mais.

4 - Uma sala de concertos seria insuficiente, por maior qualidade acústica que tivesse. Por isso decidiu-se por um Complexo tendo a Musica como tema.  Dessa forma o projeto passou a contar com uma grande sala de concertos, opera e balet, -vanguarda acústica no mundo todo-, uma segunda sala de concertos, duas salas de orquestra de câmera que seria alternativamente usada em gravações, uma escola-conservatório de musica com 10 salas, onde os professores-musicos da OSB formariam o corpo docente. O Complexo será também um shopping cultural, com livraria, cd-dvdteca, e dois cinemas. No entorno das salas de concerto foram definidos espaços informais como mini-teatros de arena para que os estudantes de musica pudesem usá-los para se exercitar e fazer suas conversas musicais.  Além de tudo, são quatro mirantes nos pontos cardeais olhando a Barra da Tijuca de diferentes formas, apoiados por cafés e restaurantes, toda a parte administrativa e um grande Parque Público com gramados e um lago que serpenteia. As salas de concerto, especialmente a grande sala, estarão equipadas para gravação dos eventos e transmissão por TV. E o Conservatório teria sempre uma proporção de vagas para crianças e jovens com renda mais baixa.

5 - A estimativa do arquiteto é de que um Complexo como esse receba todos os dias, independente de concertos, 5 mil pessoas e que se torne um point de encontro e especialização de todos os que estudam e são aficionados pela musica, onde poderão estar todo o dia. O acesso aos espaços comuns é livre e gratuito. Além de tudo, foram desenhados grandes espaços para a exposição de artes plasticas, e por isso na origem o arquiteto tenha chamado de Cidade das Artes. A possibilidade de autofinanciamento - parcial e total - vai além dos patrocínios das empresas que tem a cultura como marketing de marca. As reuniões e encontros de grandes empresas, com concertos de gala, eventos internacionais, seriam outra forma de captação de recursos. E este complexo -que custará 250 milhões de dólares- supondo um câmbio de 2 reais, ou menos se o cambio for maio, -onde já foram investidos 85% do total, sendo que todos -todos- os equipamentos estão comprados e estocados, faltando apenas as obras civis e de paisagismo.

Essas razões me levam a crer que os contrários ao equipamento não conhecem, de fato, a sua grandiosidade e importância para a nossa cidade.

Como ficou bem claro, não se trata de uma simples casa de musica, mas sim de uma grandiosa Cidade das Artes.

Enquanto a polêmica continua todos estamos perdendo, inclusive as crianças -entre elas os seus filhos- que já poderiam estar estudando a atividade artística preferida.

Pensem nisto e torçam comigo para que o nosso atual prefeito compreenda e reconsidere sua posição, dando prosseguimento às obras pelas quais já pagamos.

Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico

VEJA O DEPOIMENTO QUE O ENGENHEIRO DA OBRA DEU AO  M.P.

Clique> http://writer.zoho.com/public/blogdocesarmaia/MPRJ1

 

 

permalink

NOTÍCIAS SOBRE A CIDADE DA MÚSICA  escrito em quarta 10 junho 2009 17:46

permalink

O DESMANCHE CULTURAL DO RIO DE JANEIRO  escrito em quarta 10 junho 2009 18:07

Obra ilustrativa - O Violoncelista de Romeo Zanchett                            

O DESMANCHE CULTURAL DO RIO DE JANEIRO

O Rio de Janeiro como centro cultural do país vem perdendo espaço desde a Semana de Arte Moderna de 1922. Pessoas importantes da cultura carioca como Cecília meireles, Hermes Lima, Di Cavalcanti e Cândido Portinari foram perseguidos porque lutavam por esta centralidade. Muitos artistas mudaram para São paulo e o próprio Cândido Portinari acabou candidatando-se a Senador daquele estado.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Chateaubriand trabalhou pela arte pedindo ajuda aos empresários e praticamente só os paulistas apoiaram. As obras conseguidas passaram a ser acervo do MASP.

O Rio, não por iniciativas públicas, mas sim populares, reagiu com o Samba e a Bossa-Nova. O  CPC  da UNE abriu espaços para o Cinema Novo, mas com o regime autoritário, novamente foi prejudicado.

Com a eleição de César Maia no ano 2000, voltamos a ter esperança depois de sua decisão de investir na construção de bons equipamentos públicos que viabilizassem a recuperação da centralidade cultural da nossa Cidade Maravilhosa.

Parte da promessa foi cumprida com a criação de diversos equipamentos como: Cidade do Samba, Circo Voador, Engenhão, Arena, Parque Aquático, Velódromo, centro de Coreografia, Centro de Convenções da Cidade Nova, Centro de Referência da Musica Carioca, Centro de Tradições Nordestinas, Cidade das Crianças, Planetário de Santa Cruz, 10 Vilas Olímpicas, 10 Lonas Culturais, rede de 10 Teatros que tinha sido iniciada em 1994, Parque da Visinhança de Deodoro, Reconstrução do Centro Esportivo Miécimo da Silva com o Ginásio Algodão, Centro Cultural Princesa Isabel em Santa Cruz, Museu Helio Oiticica, entre outros.

A experiência internacional indica que a recuperação da centralidade cultural de uma cidade passa pela existência de equipamentos de alta qualidade.

Na eleição de 2000 nos foi prometido também um grande equipamento que seria o Museu Guggenheim que acabou sendo impedido por ação judicial da oposição. Tal fato se deu devido, principalmente, a uma forte pressão por parte da imprensa estimulando uma oposição política que impediu a realização do tão sonhado museu e, como sempre, a cidade saiu perdendo.

Na tentativa de criar o equipamento centralizador o Museu de Artes Plásticas foi substituido por um Centro de Artes, -cujo projeto foi confiado ao consagrado arquiteto Christian Portzamparc- e assim nasceu a Cidade da Musica.

Com o final de mandato e a obra ainda por acabar, o então prefeito inaugurou o grandioso equipamento sob severas críticas de parte da imprensa que assumiu para si a função de criar opinião pública contra o projeto. Com o processo eleitoral em andamento a oposição aproveitou a oportunidade para críticas demagógicas  que nada mais fazem do que prejudicar ainda mais a cultura de nossa cidade.

Enquanto isso, em São Paulo constroi-se o sofisticado Museu da Língua Portuguesa e o grandioso Museu do Futebol. Em Vitória- ES. está sendo construido o Centro Cultural Múltiplo.

Np Rio, com a nova administração eleita, inicia-se o desmanche cultural.

Fala-se muito sobre a importância do Rio de Janeiro sediar grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas pensa-se pequeno.

Sabemos que nossa cidade tem grande importância no cenário turístico mundial e é exatamente por isso que precisamos equipamentos de nível internacional.

Para atingir mortalmente a centralidade cultural da cidade, o novo prefeito resolve paralizar as obras  da Cidade da Música e inicia uma suspeita e apressada auditoria. Tudo é feito a "toque de caixas".

Na condução do processo o promotor encarregado tira férias e o seu substituto conclui tudo, sem depoimentos, sem perícias e rapidamente envia para o TJ. Uma atitude bem estranha.

Pode-se compreender que a nova administração da prefeitura faça as tais auditorias, mas não havia necessidade de paralizar as obras, pois as auditagens são feitas em cima de documentos.

Se existirem defeitos na obra são de responsabilidade dos construtores e devem ser cobrados.

É um absurdo que as auditorias até tenham chegado a valores para concluir a obra. Esta não é sua função.  Os valores estão consignados e não será quem contratou que dirá se faltará dinheiro ou não. Isto, se houver, é um problema dos construtores e nunca de quem contratou.

Com a paralização da obra haverá deterioração da parte já construida e este será um inquestionável argumento para as construtoras exigirem aditivos adicionais com aumentos imprevisíveis.

A nova administração da prefeitura, na pressa de criar uma polêmica demagógica, esqueceu-se de que a responsabilidade pela paralização é sua  e que no futuro lhe será cobrado qualquer valor que esta atitude insana tenha ocasionado.

Enquanto a Cidade da Musica se deteriora os governantes brincam com o dinheiro público gastando milhões para criar "guetos" murando algumas favelas da zona sul para separar os pobres dos ricos. Além disso, querem gastar cerca de 730 milhões de reais apenas para reformar o Maracanã. Toda essa polêmica é fumaça nos olhos dos cariocas que são os verdadeiros donos e pagadores.  A Cidade da Música virou "boi de piranha" para a campanha eleitoral de 2010.

Como carioca de coração me sinto lesado e como artista plástico fico triste de ver que a demagogia mais uma vez impede que o Rio volte a ser o Centro Cultural do Brasil.

Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico

CLIQUE E VEJA O DEPOIMENTO DO ENGENHEIRO DA CIDADE DA MUSICA.

http://writer.zoho.com/public/blogdocesarmaia/MPRJ1

 

 

 

permalink

CIDADE DA MUSICA - ELA É CARIOCA  escrito em quarta 10 junho 2009 19:40

                                       CIDADE DA MUSICA - ELA É CARIOCA

A atual administração do município do Rio de Janeiro parece que ainda não entendeu que a Cidade da Musica não é do ex prefeito e sim dos cariocas.

As pessoas de bom senso não conseguem entender e muito menos aceitar uma atitude tão infantil que só dá prejuizo e prejudica a cultura carioca. Os argumentos sobre os gastos já não convencem mais ninguém, até porque o ex prefeito deixou de fazer publicidade para realizar obras em benefício da cultura carioca, além de entregar a prefeitura com muito dinheiro em caixa.

Li este artigo no Jornal O Globo do dia 02 de abril de 2009, achei muito interessante as colocações do maestro Ricardo Prado sobre o assunto e decidi postá-lo aqui para que todos possam tomar conhecimento do que pensam as pessoas cultas e de bom senso.

Diz o artigo:

"A Cidade da Musica voltou às manchetes: ainda faltam obras e equipamentos que poderão custar mais de R$ 130 milhões, além dos R$ 518 milhões previstos. Ela parece ter sido concebida, planejada e (semi)realizada para gerar polêmicas sobre a sua necessidade, localização e projeto, se haveria público e se opreço era razoável.

Acho que está na hora de se propor ao prefeito e à opinião pública carioca algumas ideias que as notícias mostram inadiáveis.

A primeira é que a Cidade da Música não é mais um projeto em discussão. Os vários possíveis erros do ex-prefeito César Maia já receberam uma resposta eleitoral. Essa discussão está vencida, e não se poderá apenas esquecer a Cidade da Musica: ela está lá.

Ou pensamos nas suas qualidades e possibilidades ou agravaremos e encareceremos os seus defeitos.

A Cidade da Musica está numa "esquina" onde se pode marcar encontro dos públicos do Rio com a música sinfônica. Eles virão da Zona Sul - de carro, taxi, além das vans e dos ônibus especializados-, virão da Barra da Tijuca, onde há multidões de apaixonados por música, e muitos mais a consquistar, o que é uma oportunidade para a produção musical carioca.

Mas também virão de Jacarepaguá, de Del Castilho e Bonsucesso, dos bairros que a Linha Aamarela torna mais próximos. Virão do Rio economicamente mais pobre e, como nossos músicos sabem, impacientes por musica que vale por critérios musicais, sem as ideologias que não interessam nem aos artistas, nem ao público. Categorias como "erudita" ou "popular" são ignorância da história, erro musical ou manipulação política vulgar e cruel.

Vale lembrar que o Teatro Municipal está em obras, e não é prudente contar com a sua abertura para novembro. A Sala Cecília Meireles não tem capacidade para dar escala econômica a muitos programas. Mas isto também é uma oportunidade: as platéias de concertos irão onde eles estiverem. Se esse lugar for a Cidade da Musica, serão criados sistemas de atendimento e começará um novo habito entre os cariocas apaixonados por musica. Uma das atrações da Cidade da Música, conhecida na sua inauguração, é a acústica da sala principal, hoje a melhor do país - incluída aí a Sala São Paulo.

Essas razões deveriam ser suficientes para abrir a Cidade da Musica. Como ainda falta tanto, a decisão possível é: vamos abrir a sala de concertos. Já.   Que se faça o suficiente para seu uso imdiato para concertos. A Orquestra Sinfônica Brasileira está pronta para realizar ali uma importante parte de sua programação e ocupará a sala com entusiasmo e dedicação.

Não se trata de propor ao prefeito Eduardo Paes que recue de suas decisões: precisamos das auditorias e da apuração de responsabilidades. Mas, até lá, é possível utilizar a sala principal, onde falta tão pouco a fazer. Especialmente quando há tanto público e tanta música que, nesse momento, não podem se encontrar.  Se isso for feito, os cariocas podrão começar a ocupar a Cidade da Musica. Depois, a própria OSB - que já é subsidiada pela prefeitura - levará para lá os seus projetos sociais, que já dão resultados há anos. Isso trará ainda mais cariocas, principalmente os que não tem acesso a um direito básico, fundador de uma urgente cultura da escolha: repertório. Especialmente entre os jovens pobres. Aos poucos os cariocas poderão aproveitar o que já pagaram tanto para ter, e que não pode ser ainda mais desperdiçado.

Nossa cidade produziu um fenômeno único no mundo: uma geografia musical. Por onde cresceu, ela engendrou músicas novas que o mundo chamou de "brasileiras" : o choro, os sambas, a bossa nova.  Se o Rio cresce para o oeste, se para lá vão os cariocas, lá devem estar os músicos, para inventar e lembrar muito mais música.

Esta é a boa hora para oprefeito Eduardo Paes transformar em acerto seu os erros cometidos antes dele.

Próximo e aliado dele está o bom exemplo do governador Sérgio Cabral, que soube reavaliar a sua decisão sobre o Aeroporto Santos Dumont. A política do Rio pode estar mudando para decisões mais articuladas dos interesses dos cariocas.

Por isso, está na hora de eles e seu prefeito se unirem em torno de dois valores que eles amam: sua cidade e sua musica. E a Cidade da Musica, afinal, será o seu sinônimo: carioca."

RICARDO PRADO é maestro.

NOTAS FINAIS E COMENTÁRIOS.

Os possíveis erros do ex prefeito César Maia, se é que existem, não justificam causar tantos prejuizos à cultura e ao povo carioca e, porque não dizer, ao Brasil, pois o Rio está lutando para recuperar a centralidade cultural do país.

Quanto à localização da Cidade da Musica que tanta polêmica causou, parece que ficou bem claro que o ex prefeito estava certo. Como disse o maestro Ricardo Prado, as pessoas virão de todos os bairros para um encontro marcado na Cidade da Musica. Parodiando a frase "todos os caminhos levam a Roma", podemos dizer que todos os caminhos do Rio levam à Cidade da Música. Este foi talvez o maior acerto na hora da escolha.

Como disse o maestro Ricardo Prado : "Se o Rio cresce para o oeste, se para lá vão os cariocas, lá devem estar seus músicos, para inventar e lembrar muito mais musica".  Em outras palavras, o artista deve estar  onde o público estiver e este local tem a geografia perfeita que facilita o acesso. Fica ao lado  da estação Alvorada. Isto por si só já justificaria deixar o carro em casa e ir de coletivo.

A tão propalada auditoria que o atual  prefeito está fazendo é uma coisa muito natural. Sempre que um governante entra procura verificar os gastos e formas utilizadas pela administração anterior. Assim também será quando ele sair daqui a três anos e meio.

O que fica claro é que o ex prefeito César Maia sempre pensou grande . É realmente uma "mania de grandeza" realizar grandes projetos para uma grande Cidade Maravilhosa. O Rio não pode se conformar com pensamentos pequenos que querem diminuir sua grandiosidade.

Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico

.

LEIA  O ARTIGO - TIMES PUBLICOU: Barreiras de Concreto Fecham Pobres em Guetos no Rio.

http://www.textolivre.com.br/artigos/17068-barreiras-de-concreto-fecham-pobres-em-guetos-no-rio

 

permalink